O desemprego no Chile disparou para o patamar histórico de 9,6%, o pior resultado em mais de cinco anos, impulsionado por um rigoroso plano de austeridade fiscal adotado pela gestão do presidente José Antonio Kast.
Impacto dos combustíveis e inflação
A situação econômica agravou-se logo no início da administração de Kast, em março, quando o governo decidiu não intervir na alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. A medida gerou o episódio conhecido como “bencinazo”, alimentando protestos e elevando o custo de vida. O encarecimento dos combustíveis pressionou o orçamento das famílias e das empresas, elevando a inflação para 4,1% em julho.
O especialista Nicolás Saldías avalia que a decisão do governo foi tomada considerando que “o custo fiscal de compensar a alta dos preços era excessivo e ameaçava debilitar seus esforços para reduzir o déficit fiscal”. No entanto, ele ressalta que “o custo político para o governo foi muito elevado, pois a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou”.
Queda drástica na mineração
Outro pilar da crise foi o setor de mineração, principal motor de exportação do país. Em agosto, a produção de cobre sofreu uma baixa anual de 17,4%, o menor nível em três décadas, afetada por condições climáticas adversas e problemas operacionais.
Essa retração levou o Banco Central chileno a reduzir suas projeções de crescimento econômico para o intervalo entre 0,25% e 0,75% neste ano. A queda no PIB nos dois primeiros trimestres configurou a maior retração do país desde a fase mais crítica da pandemia de covid-19.
Austeridade e novas reformas
Para tentar reverter o cenário, o governo implementou cortes orçamentários de 3% em todas as pastas e articulou a aprovação da chamada “megarreforma”, que reduz os impostos corporativos progressivamente de 27% para cerca de 23%.
Apesar das medidas de ajuste e das previsões de analistas de que a economia poderá dar sinais de recuperação no próximo ano, a oposição e grande parte da população continuam criticando os impactos sociais dos cortes, enquanto o desemprego e a lenta recuperação do consumo desafiam o cotidiano dos chilenos.
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