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Capitã resgata poder feminino no Universo Marvel

Foram necessários cerca de 20 filmes dedicados à glória dos X-Men, do Homem de Ferro e outros super-heróis antes de a Marvel dar vez a uma mulher em um papel principal: a “Capitã Marvel” é um espetáculo do poder feminino.

Neste filme, que estreia quinta-feira nos cinemas brasileiros, há mulheres pilotando magistralmente aviões de guerra ou à frente de experimentos científicos muito importantes… e, claro, há Carol Danvers, heroína imbatível interpretada por Brie Larson.

Vencedora do Oscar em 2016 por “O Quarto de Jack”, a atriz era conhecida por seus papéis em filmes independentes e por suas declarações feministas.

“As mulheres estão estrelando filmes desde a era do cinema mudo”, disse em entrevista ao The Hollywood Reporter. “Fizemos parte de todos os grandes movimentos artísticos. Mas as pessoas nos afastam quando o movimento ganha impulso e agem como se nunca tivéssemos estado lá”.

Para interpretar a super-heroína em um traje vermelho e azul, a atriz passou por meses de treinamento.

Danvers, treinada para ser uma guerreira Kree, acaba no meio de uma guerra intergaláctica com os Skrulls.

Logo se dá conta que não era quem pensava ser… Mas a ideia não é revelar o enredo do filme.

No planeta Terra, terá seu primeiro contato com o agente Nick Fury (Samuel L. Jackson), um personagem recorrente do universo Marvel, e receberá a ajuda da gata Goose. Uma caixa de surpresas.

A capitã Marvel “é um dos personagens mais populares e poderosos dos quadrinhos e agora será o personagem mais poderoso da Marvel”, disse Kevin Feige, diretor dos estúdios Marvel, uma empresa da Disney.

Capaz de voar, disparar raios cósmicos, absorver energia, também tem um caráter muito sólido que lhe permitiu ter um papel crucial em um universo onde há pouco espaço para as mulheres.

E esse filme explora precisamente um lado abertamente feminista, de que as mulheres não precisam provar nada para os homens.

– Acabar com o estereótipo –

“Durante anos tivemos que lutar contra a falsa ideia de que o público não queria ver filmes sobre super-heroínas”, declarou em setembro Kevin Feige, da revista Entreteinment Weekly. “Tudo por causa de filmes que não funcionaram 15 anos atrás, mas que eu sempre achei que não funcionaram, não porque contavam histórias sobre mulheres, mas porque não contavam boas histórias”.

Ele menciona como exemplos de fracasso “Elektra” em 2005, com Jennifer Garner, e “Mulher Gato”, um ano antes, com Halle Berry.

Como resultado, por mais de uma década, a Marvel havia relegado suas personagens femininas a fazer parte de equipes de Vingadores, como a Viúva Negra, interpretada por Scarlett Johansson.

Em um esforço para ser mais representativa, a subsidiária da Disney finalmente respondeu às demandas de personagens femininas, como parte do surgimento de movimentos como o #MeToo.

Também tenta competir com a DC Comics, pertencente ao grupo Warner, que lançou em 2017 “Mulher Maravilha” de Patty Jenkins, que foi um blockbuster arrecadando US$ 800 milhões.

Uma sequência é esperada – “Mulher Maravilha 1984” – em meados de 2020.

“Obviamente estou animada que os tempos estão mudados e que algumas mulheres são mais aceitas, mas acho que ainda há muito trabalho a ser feito”, declarou à AFP a editora do filme, Debbie Berman, na estreia em Hollywood.

A Marvel já deu uma reviravolta no ano passado com “Pantera Negra”, filme que pela primeira vez focou-se em um super-herói negro, ambientado no reino fictício de Wakanda, na África.

O filme conquistou três Oscar e se tornou um fenômeno.

Com “Capitã Marvel” investe tanto no espetáculo pirotécnico que o gênero exige quanto uma lição de auto-afirmação para o público feminino.

O filme dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck se passa nos anos 90, época em que os celulares não eram tão comuns e onde, sem banda larga, o download de arquivos da rede levava muito tempo. Um aspecto que injeta humor e brinca com nostalgia.

A trilha sonora também inclui temas de Garbage, Hole e No Doubt, bandas lideradas principalmente… Por mulheres.

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