domingo , 25 outubro 2026

Japão usará inteligência artificial para simular ataques hackers

O governo japonês anunciou a criação de uma força-tarefa voltada para simular invasões virtuais com inteligência artificial, buscando antecipar falhas tecnológicas. A decisão surge em meio a uma onda recente de ataques que obrigou companhias e órgãos estatais de diversas nações a desativarem páginas na web para escapar de brechas na linguagem de programação PHP.

Entenda o impacto da vulnerabilidade Milhões de tentativas de invasão foram detectadas após a revelação de brechas severas na ferramenta, fazendo operadores de sistemas suspenderem atividades ou reforçarem barreiras de proteção.

O reflexo dessa crise no Japão atingiu diretamente a SoftBank, terceira maior operadora de telefonia móvel do país, que paralisou o seu sistema de alertas de emergência para celulares.

Com mais de 30 milhões de clientes de smartphones, a empresa informou nesta sexta-feira que o serviço ficará indisponível durante a manutenção para corrigir uma falha no PHP.

Dessa maneira, os consumidores ficaram temporariamente sem receber avisos antecipados sobre terremotos, tsunamis e ordens de evacuação. A SoftBank pontuou que avisos de abalos sísmicos ainda poderiam ser obtidos por alternativas como um aplicativo da sua subsidiária Yahoo. O país asiático sofre constantemente com abalos naturais e lida também com a aproximação do tufão Champi na província de Okinawa.

Reações de autoridades e especialistas Diante do cenário crítico, autoridades governamentais e líderes do setor de tecnologia expressaram preocupação com a velocidade das ameaças e a necessidade de inovação na defesa digital.

“Um ataque pode ser bem-sucedido ao encontrar apenas uma brecha. Por isso, é importante mudarmos nossa mentalidade e pensar sob a perspectiva do invasor”, afirmou o ministro japonês da Indústria, Ryosei Akazawa, nesta sexta-feira, à Reuters.

“Os responsáveis pela defesa também precisam usar a inteligência artificial e agir de forma proativa, mantendo-se um passo à frente”, acrescentou.

Nobuo Miwa, presidente da empresa de segurança cibernética S&J Corp, sediada em Tóquio, avaliou que a resposta do governo foi lenta demais.

“É como tentar enfrentar um homem-bomba com uma lança de bambu”, afirmou.

Serviços afetados ao redor do mundo Os desligamentos emergenciais espalhados de Tóquio a Helsinque comprometeram operações bancárias, aéreas, ferroviárias, fiscais e governamentais, transformando o caso em um teste severo para tecnologias fundamentais da internet.

No território japonês, nomes como a corretora Nomura, o grupo financeiro Mitsubishi UFJ, a companhia aérea ANA e a operadora ferroviária JR East paralisaram temporariamente plataformas digitais.

O Ministério das Finanças, a Agência Nacional de Impostos e a Agência Meteorológica do Japão também interromperam parte de seus serviços pela internet.

Durante a sexta-feira, a JR East comunicou que algumas operações de empresas associadas voltaram a funcionar, enquanto outras seriam restabelecidas somente após avaliações de segurança. Já a fabricante de tintas Nippon Paint instalou um pacote de proteção preventivo e confirmou que sua página na web foi reativada.

Perspectivas sobre o uso de inteligência artificial Para Eva Chen, presidente-executiva da empresa de segurança cibernética Trend Micro, os invasores provavelmente estão mirando empresas japonesas por causa dos registros detalhados que elas mantêm. Segundo ela, a inteligência artificial também reduziu a barreira do idioma, facilitando ataques contra essas organizações.

Chen afirmou ainda que o Japão se tornou excessivamente confiante na segurança de sua infraestrutura tecnológica existente.

Profissionais da área alertam que criminosos utilizam a inteligência artificial para automatizar desde a varredura por falhas até campanhas de phishing, tornando os delitos virtuais mais céleres, baratos e complexos de identificar.

Contexto da linguagem PHP Os desenvolvedores do PHP divulgaram correções na quarta-feira (21) para vulnerabilidades que estavam presentes no programa havia anos e foram descobertas com o auxílio da inteligência artificial. Eles recomendaram que os usuários atualizassem o software imediatamente.

A linguagem PHP é um conjunto de instruções usado para desenvolver sites e aplicações na internet. Uma vulnerabilidade é uma falha que pode ser explorada por invasores para acessar sistemas, roubar informações ou interromper serviços.

As atualizações de segurança corrigem esses problemas e reduzem o risco de ataques.

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