O mercado financeiro reagiu intensamente ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais nesta segunda-feira (26). Logo nas primeiras horas da sessão, o dólar registrou alta de 8,65% por volta das 9h, sendo cotado a R$ 5,4248, enquanto o cenário político surpreendeu grande parte dos analistas e investidores que aguardavam projeções distintas.
Impacto político nas projeções econômicas A vitória de Lula (PT) com 51,78% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro (PL) que obteve 48,22%, alterou abruptamente as expectativas traçadas pelo mercado nas últimas semanas. Como as pesquisas indicavam vantagem de Bolsonaro, a reviravolta gerou incertezas sobre os rumos das contas públicas, do câmbio e das taxas de juros no novo mandato.
“Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula, e quando olhamos a metade da tarde do pregão de sexta-feira, parece que o mercado realmente se posicionou para a vitória de Flávio”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.
“Vimos na sexta-feira um estirão do dólar para baixo e a bolsa para cima. Nesta segunda-feira, dado que houve essa alavancagem, é possível que haja circuit breaker na bolsa e parada de negócios no dólar”, acrescentou.
“A gente viu um movimento na sexta-feira, com o mercado apostando em uma vitória do Flávio, mas como isso não aconteceu, a tendência é de que se faça compras de defesa no câmbio”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Reflexos no exterior e risco de judicialização As repercussões também atingiram os ativos brasileiros negociados fora do país, com destaque para o fundo EWZ em Nova York, que despencou 26,16% antes da abertura oficial. Paralelamente, declarações de Flávio Bolsonaro indicando que pedirá a anulação do pleito adicionam instabilidade jurídica ao cenário econômico atual.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Perspectivas para a agenda econômica Enquanto investidores aguardam os desdobramentos políticos e a divulgação de dados do Boletim Focus, o cenário internacional também impõe cautela com a proximidade da decisão de juros do Federal Reserve nos Estados Unidos e o monitoramento constante dos preços do petróleo no mercado global.
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