O combate ao crime organizado e a articulação entre o governo federal e os estados são os principais desafios que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará na área de segurança pública. A avaliação é de Rafael Alcadipani, especialista em Segurança Pública.
Segundo ele, o crime organizado “desconhece fronteiras tanto estaduais quanto nacionais”, exigindo uma resposta coordenada e suprapartidária.
Além da articulação política, a nova gestão precisa lidar com a expansão de facções criminosas pelo país e pelo exterior, a discussão sobre a PEC da Segurança Pública, a criação de uma pasta específica para o setor e a queda nos índices de feminicídio.
Avanço das facções pelo mundo e pelo litoral O Primeiro Comando da Capital (PCC) já se espalhou por 29 países, conforme dados do Ministério Público de São Paulo. Enquanto isso, o Comando Vermelho (CV) deixou o Rio de Janeiro e avançou por toda a costa brasileira até Belém (PA), disputando territórios ferozmente. “É justamente essa expansão do crime organizado que é o principal ponto desafiador ao presidente Lula nesse quarto mandato”, afirmou Elijonas Maia.
Diálogo e comando técnico na nova pasta Para Rafael Alcadipani, a criação do Ministério da Segurança Pública é um passo importante, mas a pasta precisa ser comandada por um nome hábil nas negociações políticas.
“A gente precisa do Ministério da Segurança Pública que seja um ministério feito por pessoas que tenham capacidade de diálogo, porque a gente precisa dos governadores estaduais e a gente sabe que a maioria dos governadores não pertence ao partido do presidente”, disse. O analista também criticou a possibilidade de transformar a pasta em “cota partidária”, exigindo um perfil técnico.
Integração policial e os limites da PEC Sobre a PEC da Segurança Pública, Alcadipani pontuou que a proposta é “um caminho”, mas está “longe de ser uma bala de prata para enfrentar o problema”. O especialista enfatiza que o maior entrave está na comunicação entre as próprias corporações: “Hoje, as próprias polícias não conversam internamente entre ellas, não trocam informações como deveria”.
Retomada de territórios e políticas sociais Para recuperar áreas dominadas pelo tráfico e por milícias, o especialista defende uma estratégia que ultrapasse a força policial pura e simples. “Não basta só você invadir com polícia. Tem momentos sim que você vai ter que usar a força (…) mas o que vem depois?”, questionou.
O plano ideal exige a entrada simultânea de pastas como a educação para proteger jovens vulneráveis. “Como se diz, aonde o Estado não está, o crime prolifera. Então a gente precisa ter a presença do Estado também nessas regiões”, concluiu.
Debates sobre maioridade e gestão Por fim, Alcadipani avaliou que Lula adotou “uma mudança de postura adequada” ao aceitar debater a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Contudo, ele reforça que o país ainda sofre com falhas graves de gestão, como a baixa taxa de elucidação de homicídios, e necessita de mais recursos no Fundo Nacional de Segurança Pública.
Rádio Cidade Livre FM – 88,7