A nova série Dom de iludir, lançada pela Netflix, tem chamado a atenção do público ao colocar no centro de sua narrativa uma valiosa pintura de Candido Portinari. Na trama, a obra Mulher com Filho Morto, datada de 1955, aparece como uma reprodução que compõe a sofisticada coleção de arte da milionária Lúcia Rossetti, interpretada pela atriz Marieta Severo. O item não apenas figura entre os mais caros do acervo da personagem, como também guarda um profundo significado emocional revelado no decorrer dos episódios, movimentando o enredo e atraindo a atenção de golpistas.
O paradeiro da obra original
Diante da repercussão da tela na produção televisiva, o Projeto Portinari confirmou que a pintura verdadeira é, na realidade, uma das maquetes concebidas pelo mestre das artes plásticas para compor o famoso painel Guerra, instalado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Conforme os dados repassados pela instituição, a relíquia artística permanece sob a tutela da mesma família desde o ano de 1958, embora a identidade dos atuais proprietários seja mantida em sigilo.
O papel do Projeto Portinari
Fundado no ano de 1979 por João Candido Portinari, que é filho do renomado pintor, o Projeto Portinari cumpre um papel fundamental na preservação cultural brasileira. A organização se dedica inteiramente ao resgate, à catalogação e à documentação detalhada de toda a trajetória e da vasta produção artística do autor, além de atuar ativamente para promover a democratização do acesso ao seu importante legado histórico.
Bastidores da produção na Netflix
Para construir com fidelidade o universo visual da personagem bilionária, a equipe de produção da Netflix obteve autorização oficial dos herdeiros do artista para recriar quatro trabalhos icônicos, incluindo justamente a peça Mulher com Filho Morto. O processo de recriação envolveu tanto o trabalho manual de artistas especializados quanto a utilização da avançada técnica de impressão Giclée, método tecnológico que garante uma reprodução extremamente fiel aos tons, às texturas e aos mínimos detalhes visuais originais das telas.
Com uma trama repleta de reviravoltas e foco no universo das falsificações e dos golpes, a presença das obras de arte na narrativa reforça o valor simbólico e financeiro que o mercado de luxo e a alta cultura exercem sobre os personagens, especialmente na relação de Lúcia Rossetti com seu acervo protegido ao longo da história.
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