O mercado financeiro brasileiro iniciou a sessão desta terça-feira (27) em movimento de ajuste, com o dólar registrando queda de 0,06% por volta das 9h, cotado a R$ 5,3992. O recuo ocorre logo após um pregão de forte volatilidade, marcado pela maior alta diária da divisa americana desde 1999, que atingiu 8,21% na véspera, fechando a R$ 5,4027. O Ibovespa também sentiu o impacto, acumulando queda de 13,88% no dia anterior, seu pior desempenho desde março de 2020.
O impacto da política na economia
A vitória de Lula (PT) no segundo turno, com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), alterou as expectativas do setor financeiro. Como o resultado divergiu da vantagem apontada por algumas pesquisas, investidores agora reavaliam os impactos do novo mandato na dívida pública e nas metas fiscais. A preocupação central gira em torno da inflação e de uma possível pressão para a elevação dos juros básicos, caso o câmbio continue instável.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Expectativas e cenários externos
Enquanto o mercado doméstico digere a eleição, a atenção global se volta para a reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira. A expectativa majoritária é de manutenção das taxas de juros americanas. Paralelamente, o cenário geopolítico, incluindo as eleições em Israel e os preços do petróleo — que operam em baixa com o Brent cotado a US$ 114,88 —, também compõe o radar dos investidores.
Incertezas jurídicas e institucionais
Além do cenário macroeconômico, o mercado monitora o risco de judicialização do pleito. A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de estender o horário de votação, somada à declaração de Flávio Bolsonaro de que não reconhece o resultado e buscará a anulação da eleição, adiciona uma camada de instabilidade que preocupa o mercado.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
Apesar do pessimismo, analistas pontuam que medidas concretas podem ajudar a recuperar a confiança. “Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
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