O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação focada em apurar denúncias de crimes contra a dignidade sexual que teriam sido cometidos pelo ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada em Goiânia. A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em locais vinculados ao investigado, incluindo a sede da própria instituição religiosa.
Medidas cautelares e restrições impostas
Além das buscas, autorizadas pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, a Justiça determinou o afastamento do sigilo de dados telemáticos do suspeito. Entre as medidas cautelares aplicadas, o investigado está proibido de frequentar a sede da comunidade ou participar de eventos promovidos pela entidade em qualquer outro local. Ele também deverá comparecer mensalmente ao juízo para prestar contas.
Abuso de autoridade e violações
A investigação foi iniciada após o recebimento de uma notícia-crime feita por uma integrante do centro religioso. De acordo com as autoridades, o suspeito é acusado de utilizar sua posição de autoridade espiritual para submeter fiéis a práticas que configuram crimes contra a dignidade sexual, como a violação sexual mediante fraude. Há também indícios de que ele tenha compartilhado fotos e vídeos íntimos de uma das vítimas sem o devido consentimento.
Exploração de vulnerabilidade
Os elementos coletados pelo Ministério Público sugerem um padrão de comportamento: o investigado teria explorado a vulnerabilidade social de mulheres assistidas por programas sociais da instituição. Segundo o órgão, ele teria condicionado a entrega de cestas básicas à obtenção de material de conteúdo sexual. Após o surgimento das denúncias, o homem foi destituído da presidência da comunidade em julho deste ano, por meio de uma assembleia geral extraordinária, e o local segue temporariamente sob nova administração.
Risco de reincidência em nova cidade
Apesar de afastado do centro em Goiânia, o MPGO apurou que o ex-líder estaria tentando retomar suas atividades religiosas no município de Santa Helena de Goiás, com planos para abrir um novo espaço. Essa movimentação gerou alerta entre os promotores, devido ao receio de que ele volte a utilizar a liderança religiosa para se aproximar de mulheres em situação de fragilidade. A operação envolve a Procuradoria-Geral de Justiça, o Gaeco e o Navita, reforçando a complexidade do caso.
Rádio Cidade Livre FM – 88,7