O Pentágono autorizou o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) a testar uma arma de calor de uso militar. A medida inédita prevê o desenvolvimento de táticas para uma possível aplicação em operações na fronteira sul americana, conforme um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Como funciona a arma de calor Conhecido oficialmente como Sistema de Negação Ativa (Active Denial System), o equipamento é um dispositivo não letal que dispara um feixe invisível de ondas eletromagnéticas. Segundo as Forças Armadas dos EUA, o alcance é de pouco mais de 800 metros. O contato com a pele humana gera uma sensação térmica comparável à de abrir um forno quente. Militares relatam que o formigamento dura de 10 a 15 minutos e provoca “um impulso instintivo e irresistível de fugir do efeito”.
Detalhes do acordo e restrições O documento oficial estabelece o “empréstimo temporário” de um sistema ADS por um período de sete meses, com início em setembro. O texto determina que o equipamento “não deverá ser operado por integrantes do Departamento de Guerra”. A determinação parece eximir o Pentágono de responsabilidades sobre a aplicação da tecnologia de energia direcionada.
O DHS assumirá total incumbência pelo “emprego do sistema, uso e desenvolvimento de táticas, técnicas e procedimentos”. Após o prazo de sete meses, a pasta poderá solicitar a renovação do uso do equipamento do Pentágono em missões na divisa. “A CBP está avaliando continuamente novas tecnologias, especialmente aquelas que aumentam a eficácia operacional e fortalecem as capacidades de missão”, declarou um porta-voz da Alfândega e Proteção de Fronteiras.
Histórico de debates e avaliações anteriores O sistema chegou a ser empregado brevemente pelas Forças Armadas americanas no Afeganistão há quase duas décadas, mas a corporação optou por não utilizá-lo em combates ativos. Autoridades da CBP já debateram a aplicação do dispositivo em locais com grande fluxo de travessias irregulares para dispersar aglomerações, embora nunca tenha sido colocado em prática.
No fim do primeiro governo de Donald Trump, o uso do sistema chegou a ser cogitado para conter tumultos internos decorrentes dos protestos após o assassinato de George Floyd. Em 2018, a proposta de empregar o equipamento contra migrantes foi descartada pela então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen. “A questão era tratar imigrantes e cidadãos como combatentes inimigos”, afirmou um ex-funcionário do DHS familiarizado com as discussões anteriores sobre o uso da arma contra migrantes. “Em termos gerais, tratamentos desumanos costumam ser rejeitados.”
Desafios legais e operacionais Gestores enfrentaram diversos impasses relacionados à legalidade, eficácia e soberania, especialmente se o feixe fosse disparado contra pessoas ainda em território mexicano. Outro temor central envolvia os riscos de acidentes graves decorrentes da fuga precipitada. “Mesmo que estejam perseguindo pessoas de volta ao rio, você não quer que elas entrem na água e se afoguem”, alertou um ex-integrante da CBP. “Considerando o custo, o treinamento e as políticas que você vai criar, vale a pena?”
O setor de El Centro, responsável por cerca de 113 quilômetros da linha divisória, analisou a tecnologia anos atrás sob a chefia de Rodney Scott, atual comissário da CBP. O objetivo era verificar se o artefato auxiliaria os agentes a conter o fluxo de travessias irregulares pelo rio próximo. Apesar das avaliações e do recente questionamento de alguns patrulheiros sobre a real necessidade da ferramenta diante da queda nos índices de travessia, os motivos exatos para o equipamento nunca ter sido acionado permanecem incertos.
Rádio Cidade Livre FM – 88,7